Jack, the ripper

Publicado: 28 de outubro de 2010 em Uncategorized
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Jack, o Estripador (Jack the Ripper)
Jack, o Estripador foi o pseudônimo dado a um assassino em série não-identificado que agiu no miserável distrito de Whitechapel em Londres na segunda metade de 1888. O nome foi tirado de uma carta, enviada à Agência Central de Notícias de Londres por alguém que se dizia o criminoso.
Suas vítimas eram mulheres que ganhavam a vida como prostitutas. Duas delas tiveram a garganta cortada e o corpo mutilado. Teorias sugerem que, para não provocar barulho, as vítimas eram primeiro estranguladas, o que talvez explique a falta de sangue nos locais dos crimes. A remoção de órgãos internos de três vítimas levou oficiais da época a acreditarem que o assassino possuía conhecimentos anatômicos ou cirúrgicos.
Os jornais, cuja circulação crescia consideravelmente durante aquela época, deram ampla cobertura ao caso, devido à natureza selvagem dos crimes e ao fracasso da polícia em efetuar a captura do criminoso — que tornou-se notório justamente por conseguir escapar impune.
Devido ao mistério em torno do assassino nunca ter sido desvendado, as lendas envolvendo seus crimes tornaram-se um emaranhado complexo de pesquisas históricas genuínas, teorias conspiratórias e folclores duvidosos. Diversos autores, historiadores e detetives amadores apresentaram hipóteses acerca da identidade do assassino e de suas vítimas.Antecedentes
Em meados do século XIX, a Inglaterra experimentou um rápido influxo de imigrantes irlandeses, que incharam a população de desfavorecidos tanto no interior quanto nas principais cidades inglesas. A partir de 1882, refugiados judeus, escapando dos pogroms da Rússia czarista e do leste europeu, aumentaram ainda mais os índices de superpopulação, desemprego e falta de moradia.Londres, particularmente nas regiões do East End e Whitechapel, tornou-se cada vez mais sobrecarregada, resultando no desenvolvimento de uma imensa sub-classe econômica.Esta situação de pobreza endêmica levou várias mulheres à prostituição. Em outubro de 1888, a Polícia Metropolitana de Londres estimou a existência de 1,200 prostitutas de “classe muito baixa” vivendo em Whitechapel e em aproximadamente 62 bordéis. Os problemas econômicos vieram acompanhados por uma elevação contínua das tensões sociais. Entre 1886 e 1889, manifestações de famintos e desempregados eram uma constante nas ruas londrinas.
Os assassinatos geralmente atribuídos a Jack o Estripador ocorreram na metade final de 1888, apesar da série de mortes brutais em Whitechapel persistirem até 1891. Parte dos assassinatos envolveram atos extremamente pavorosos, como mutilação e evisceração, narrados em detalhes pela mídia. Rumores de que os crimes poderiam estar conectados intensificaram-se em setembro e outubro, quando diversos órgãos de imprensa e a Scotland Yard receberam uma série de cartas perturbadoras de um remetente ou vários, assumindo responsabilidade por todos ou alguns dos assassinatos. Uma carta em particular, recebida por George Lusk do Comitê de Vigilância de Withechapel, incluía metade de um rim humano preservado. Principalmente devido à natureza excessivamente brutal dos crimes e a cobertura midiática dos eventos, o público passou a crer cada vez mais em um único assassino em série a aterrorizar os moradores de Whitechapel, apelidado de “Jack o Estripador” após a assinatura de um cartão-postal recebido pela Agência Central de Notícias. Apesar de as investigações não terem sido capazes de conectar as mortes posteriores aos assassinatos de 1888, a lenda de Jack o Estripador já havia se consolidado.Vítimas conhecidas
Um dos motivos pelos quais o mistério de Jack, o Estripador persiste é a incerteza que envolve os crimes. A crença mais comumente sustentada é a de que ele assassinou cinco mulheres de 31 de agosto até 9 de novembro de 1888. Esses são os chamados assassinatos do Estripador (também chamados de assassinatos canônicos) e estão entre 11 assassinatos que ocorreram por volta da mesma época, chamados de assassinatos de Whitechapel. Incluindo o método de assassinato e a desfiguração pós-morte, as vítimas canônicas possuíam alguns aspectos em comum: eram prostitutas (ou eram conhecidas por casualmente aceitarem propostas), tinham meia-idade (a maioria), estavam bêbadas ou eram notórias alcoólatras. Os relatos de seus assassinatos podem ser lidos como capítulos de um romance perturbador.
Mary Ann “Polly” Nichols
Polly Nichols, a primeira vítima do Estripador, tinha aproximadamente 44 anos quando foi assassinada. Ela era extremamente pobre e conhecida por apreciar a bebida. Ela foi vista viva pela última vez por volta de 2h38 da manhã em 31 de agosto de 1888 e foi encontrada por volta das 3h45, jogada na estreita e pouco iluminada rua Buck’s Row em Whitechapel. Ela ainda estava viva quando foi encontrada, mas morreu poucos minutos depois. Polly Nichols sofreu uma laceração de cerca de 20 centímetros na garganta, o que rasgou as artérias principais em cada lado do pescoço. Nichols também sofreu incisões adicionais no pescoço, bem como lacerações violentas no abdome [fonte: Casebook (em inglês)].
Annie Chapman
A segunda vítima era uma viúva alcoólatra de 47 anos que se sustentava parcialmente com a prostituição após a morte do marido. Ela foi vista com vida pela última vez no dia 8 de setembro de 1888, às 5h30 na Hanbury St., com um homem descrito como “um cavalheiro desarrumado” [fonte: Casebook]. Alguns minutos depois, outra testemunha ouviu uma mulher soltar um grito abafado de “Não!” por trás da cerca entre seu jardim e a 29 Hanbury St., seguido de um baque contra a cerca [fonte: Casebook]. Menos de meia hora depois, um morador do local encontrou o cadáver de Chapman [fonte: Walks of London]. Chapman foi encontrada com os pés empurrados em direção ao seu corpo, com os joelhos no ar e separados. Sua garganta foi cortada profundamente da esquerda para a direita e sua língua inchada sugeria que a causa da morte havia sido estrangulamento. O abdome de Chapman foi cortado e deixado aberto – seus intestinos foram removidos e colocados no seu ombro. Uma parte da genitália, bem como seu útero e sua bexiga foram retirados. A exatidão das incisões sugere que o assassino tivesse algum conhecimento sobre anatomia [fonte: Casebook].
Elizabeth Stride
Na noite em que encontrou Jack, o Estripador, Stride tinha 45 anos e havia bebido um pouco antes. Stride ocasionalmente se envolvia em prostituição, mas pouco antes de morrer havia sido vista recusando uma proposta. Ela foi vista pela última vez em um domingo, 30 de setembro de 1888, à 00h35, falando com um homem com um pacote embrulhado em jornal. Cerca de 25 minutos depois, ela foi encontrada em Dutfield’s Yard, um beco escuro da Rua Berner. Suas pernas foram empurradas em direção ao corpo – joelhos no alto – com um lenço amarrado no pescoço. A garganta de Stride foi profundamente cortada no lado esquerdo, com uma incisão menor à direita. A temperatura do corpo e a ausência de mutilações sugerem que o Estripador pode ter sido interrompido pelo homem que descobriu o cadáver.
Catherine Eddowes
Com 46 anos e sofrendo de uma doença dos rins, Eddowes era alcoólatra e conhecida como uma pessoa inteligente e educada. Na noite de seu assassinato, ela havia sido levada em custódia policial por embriaguez em público e liberada pouco antes da 1h00. Eddowes foi vista viva pela última vez à 1h35, por três homens que saíam de um bar. Ela estava falando com um homem de bigode perto da Praça Mitre – uma área pequena e cercada em Whitechapel. Dez minutos depois, um policial encontrou o corpo de Eddowes na praça.
Como as outras vítimas do Estripador, sua garganta foi rasgada e suas pernas abertas com os joelhos erguidos. O corpo de Eddowes foi totalmente aberto desde o reto até o esterno. Suas entranhas foram espalhadas sobre ela – os intestinos sobre os ombros e por baixo do braço. O nariz de Eddowes foi arrancado e incisões profundas e violentas marcavam suas pálpebras e bochechas. A incisão em sua garganta foi determinada como a causa da morte. A maior parte de seu útero foi removido, assim como seus rins. Em conjunto, as incisões e a remoção de órgãos sugeriram ao legista que o assassino tinha experiência em anatomia humana [fonte: Casebook].
Mary Jane Kelly
Diferentemente das vítimas anteriores, Kelly, aos 25 anos, era jovem e considerada atraente. Porém, como as outras, ela era uma prostituta e conhecida por beber. Ela foi a única vítima canônica a ser assassinada em um ambiente interno. Com essa privacidade, o Estripador criou a sua obra mais repugnante.
Kelly foi vista viva pela última vez na sexta-feira, 9 de novembro, depois das 2h00, entrando em seu apartamento, em Miller Court, acompanhada por um homem de bigode e que carregava um pacote. Às 10h45, o locatário entrou no apartamento de Kelly para receber o aluguel e encontrou o seu corpo. Ela estava deitada parcialmente vestida em uma camisola, com os pés recolhidos em direção ao corpo, joelhos dobrados para cada lado e as pernas abertas na já conhecida forma em que o Estripador deixava suas vítimas. Kelly foi a mais mutilada das vítimas do Estripador; seu rosto estava praticamente destruído, tendo sido cortado e apunhalado repetidamente, sendo que alguns traços foram inteiramente removidos. Sua garganta foi cortada tão profunda e violentamente que até mesmo suas vértebras tinham marcas de faca. Seus seios, bem como seus órgãos e entranhas foram empilhados embaixo de sua cabeça e ao longo de seu corpo. Pedaços de carne tirados da barriga e das coxas foram colocados no criado-mudo ao lado de sua cama. Parte do seu coração estava faltando e havia evidências de que um machado havia sido usado no crime, juntamente com uma longa faca afiada [fonte: Casebook].
Algumas pessoas acreditam que o Estripador matou mais do que as vítimas canônicas de agosto a novembro de 1888. Torsos femininos foram descobertos durante os meses e anos após os assassinatos do Estripador, e uma possível vítima foi assassinada na Cidade de Nova Iorque (em inglês). Existem diversas outras vítimas cujos ferimentos combinavam com a técnica usada pelo Estripador, mas elas não estão incluídas entre as vítimas canônicas. O caso de uma prostituta brutalmente morta, Martha Tabram, alcançou alguma aceitação como um possível sexto assassinato canônico. Tabram também era uma prostituta alcoólatra e foi assassinada em 7 de agosto de 1888 – o que a faria a primeira vítima do Estripador. Tabram foi encontrada com as pernas abertas e com 39 facadas, concentradas principalmente em seu abdome e em suas virilhas.Perfil e modus operandi de Jack, o Estripador
Quanto mais alguém mergulha no estudo dos assassinatos do Estripador, mais fácil se torna imaginá-los com os olhos de Jack. O que ele sentia horas antes de matar, enquanto procurava as suas vítimas? Talvez ele brincasse com as mulheres, pagando-lhes bebidas em pubs e depois as encontrava novamente mais tarde na mesma noite. Talvez ficasse fascinado com o poder, acreditando que tinha em suas mãos o destino de cada uma dessas mulheres.
Nunca saberemos realmente o que se passava na cabeça do assassino, porém, existem algumas suposições seguras sobre o Estripador e sobre sua personalidade que a criminologia – tanto a contemporânea quanto a atual – nos oferece.
Com o prosseguir das matanças, o modus operandi (M.O.) de Jack – o método que ele usava em cada assassinato – ficou claro. Ele atacava apenas nas primeiras horas da manhã e somente aos fins de semana. Esses fatos são reveladores. Sugerem que o Estripador era solteiro, uma vez que era capaz de sair a altas horas sem levantar suspeitas. Em segundo lugar, eles apontam para a idéia de que Jack provavelmente tinha um emprego fixo durante a semana, o que explicaria a sua inatividade de segunda a quinta-feira [fonte: Bardsley].
A forma que ele assassinava suas vítimas também continha pistas. Todas as mulheres, exceto uma, foram mortas por estrangulamento. Uma vez que a vítima era colocada cuidadosamente sobre o chão, o Estripador cortava sua garganta, o que esgotava seu sangue antes que ele começasse o ritual de evisceração. A maior parte da remoção de órgãos ocorria de forma limpa. No caso de Eddowes, o Estripador removeu o rim esquerdo pela frente e não pelas costas ou pela lateral [fonte: Barbee (em inglês)]. Em conjunto, as eviscerações e remoções de órgãos sugerem que o Estripador era uma pessoa com algum tipo de conhecimento em anatomia ou em cirurgias. Os ferimentos à faca também indicam que ele era destro [fonte: Bardsley (em inglês)].
Com base nas descrições de testemunhas históricas, investigadores modernos na Scotland Yard compilaram uma descrição física do assassino em 2006. Ele era um homem com idade entre 25 e 35 anos, de altura mediana e constituição robusta. Os investigadores também concluíram que Jack era um morador de Whitechapel e, o mais surpreendente, que ele deveria ser “assustadoramente normal”, não levantando suspeitas nas pessoas com quem convivia [fonte: BBC (em inglês)].
Em 1988, o FBI criou um perfil psicológico de Jack, o Estripador. O agente especial John Douglas concluiu que o Estripador era um assassino oportunista: ele escolhia prostitutas alcoólatras porque elas eram alvos fáceis. O agente também acreditava que o Estripador havia cometido outros crimes que nunca foram atribuídos a ele. Jack era um assassino de desejo, o que significa que o foco de suas mutilações rituais era a genitália feminina. Isso não quer dizer que os assassinatos eram sexuais; não há evidências de que o Estripador tenha se envolvido sexualmente com suas vítimas antes ou depois de seus assassinatos (embora os agentes acreditem que Jack fosse cliente de prostitutas). Em vez disso, as mutilações sugerem que ele estava executando fantasias violentas direcionadas à sua mãe, provavelmente a responsável pela imagem que Jack possuía das mulheres, uma imagem que ele passou a desprezar. Ela pode ter sido uma alcoólatra – e até mesmo uma prostituta [fonte: FBI].
A investigação moderna nos forneceu uma imagem mais clara de Jack, o Estripador. Mas esse não era o caso em 1888. Descubra mais sobre o clima criado pelo assassino que assombrou Londres.

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